Feliz é o homem que acha sabedoria Pv3:13

A Ética na expectativa de Deus
Texto: Mq.6:8
Introdução: Um escravo, tendo sido criado debaixo da influência da religião, tomou-se de grande valor para o senhor, por causa de sua honradez e bom comportamento; tanto, que seu senhor o elevou a uma posição de importância, isto é, administrador de suas fazendas.
O senhor, numa ocasião, desejou comprar mais vinte escravos, e mandou que o novo administrador os escolhesse, dizendo que queria os mais fortes, e os que trabalhassem melhor.
O escravo foi ao mercado e começou a sua busca; fixou a vista num velho e decrépito escravo, e disse ao senhor que aquele havia de ser um dos escolhidos.
O senhor ficou surpreendido com a escolha, e não queria concordar.
O pobre velho pediu que fossem indulgentes com ele. Então o negociante disse que se eles comprassem vinte, daria o velho de graça. A compra, portanto, foi feita e os escravos foram levados para as fazendas do seu novo senhor; mas, o antigo escravo tratou o velho decrépito com muito mais cuidado e atenção do que a qualquer um dos outros.
Ele levou-o para sua casa, dava-lhe da sua comida, quando tinha frio, levava-o para o sol, quando tinha calor colocava-o debaixo das árvores de cacau, à sombra.
Admirado das atenções que o seu antigo escravo dispensava a um outro escravo, seu senhor lhe perguntou por que fazia isso. E disse-lhe que decerto não se interessaria tanto por ele sem ter algum motivo especial. "É teu parente, talvez teu pai?"
"Não senhor", respondeu o pobre escravo, "não é meu pai"
“É teu irmão mais velho?"
"Não senhor, não e meu irmão"
"Então é teu tio, ou outro parente?"
"Não tenho parentesco algum com ele, nem mesmo é meu amigo."
"Então", perguntou o seu senhor, "por que motivo tens tanto interesse por ele” ?
"Ele é meu inimigo”, respondeu o escravo, Ele me vendeu a um negociante, mas minha Bíblia diz-me: “Quando o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, e quando tiver sede, dá-lhe de beber.”
Elucidação: Livro escrito por Miquéias, que desenvolveu seu ministério... Nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis e Judá e Jerusalém, possivelmente no ano 715-736.
Tema Básico – É que o produto da fé salvadora é a reforma social e a santidade prática baseada na justiça e sabedoria de Deus.
E por causa da falta generalizada de tal fé tanto o reino do sul como o do norte estão fadados a experimentar a ira de Deus, porém no final seriam restaurados no Messias.
- No cap. 6, o profeta mostra em detalhes o pecado de Israel e no versículo 8 diz com simplicidade e profundidade o que Deus exige de seu povo.
Tema - Uma Ética na expectativa de Deus. Implica em:
1. Praticar a Justiça:
- Ter um pleno envolvimento com a verdade;
- Nossas relações com o próximo devem regidas pela justiça;
“Pois o homem não alcançará plena felicidade enquanto suas relações não refletirem a justiça de Deus”.
Lei de Moisés é exemplo: Oposição e combate a qualquer tipo de injustiça seja de ordem:
· Exploração Econômica – “Ai daqueles que nos seus leitos imaginam a iniquidade e maquinam o mal e os praticam contra o seu próximo” Mq.2:1,2
· Exploração Política - "Que devora ao invês de defender" Mq.3:1
· Exploração Social – “Aprendemos pela experiência que segurança só para alguns, e de fato a insegurança para todos” (Nelson Mandela)
· Exploração Espiritual – O próprio Deus executa o Juízo. Normalmente a igreja cria "demônios" para encher seus próprios cofres.
· Exploração Racial - Supervalorização de uma raça.
· Exploração CulturaI - Imperialismo Cultural
Aplicação - Mais como praticar a justiça num pais:
1- Onde 14 milhões de crianças estão perambulando pelas ruas, maltrapilhas e famintas.
2- Onde a cada 4 minutos e meio, morrem duas crianças com menos de 3 anos de idade, a maioria de fome.
3- Onde só em São Paulo o numero de favelas cresceu 1.000 % em apenas 14 anos.
4- Onde 87% da elite pol1tica não vêem muitas chances dos 40 % da população que vive na miséria possa ter condições de vida.
5- Onde 90% da riqueza estão nas mãos de 10% e os outros 10% distribuídos de forma desigual para os 90% restante da população.
É nesse contexto que somos chamados a praticar a justiça.
Uma Ética na expectativa de Deus implica em:
2- Amar a Bondade
- É consequência do próprio amor de Deus para conosco, S1.31.19: “Como é grande a tua bondade que reservastes aos que te temem, para os que em ti se refugiam”.
- É abandonar o mero teologismo ou formalismo.
- É ter consciência da bondade como um evidente dom do Espírito Santo.
"Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade e bondade..." Gl. 5.21
- Ter um pleno envolvimento com o próximo.
-Utilizarmos os mesmos critérios com os quais somos beneficiados. somos impelidos a:
· fazer o bem indiscriminadamente.
· perdoar tal qual fomos perdoados.
· dar na mesma medida em que recebemos.
- E por fim a bondade como um testemunho cristão:
“O imperador Julício (sec. IV) conhecido como Apóstata porque tentou reimplantar o paganismo no império romano. No entanto Julício desistiu do seu intento entre outras razões, porque teria efeitos sociais deploráveis”, disse: “Esses Galileus ateus além de alimentar os seus pobres, alimentam também os nossos”.
Aplicação - E hoje se a igreja se ausentasse, quais os efeitos sociais que teria? Lamentariam?
- A bondade além de ser uma forma de gratidão é também uma das mais eficientes formas de testemunho.
Uma Ética na expectativa de Deus implica também em:
3- Caminhar Humildemente com Deus
- Reconhecermos nossa pobreza espiritual, nossa fragilidade...
- Admitirmos nossa desesperadora necessidade do auxílio divino;
- E nos submetermos totalmente a vontade do Senhor;
- Reconhecermos que nossa vitalidade espiritual não provém:
· Dos nossos próprios esforços independentes;
· Das nossas próprias habilidades;
· De nossa posição Sociocultural
- Pelo contrário a quem assim procede, o senhor humilha. "Todo aquele que se exalta, será humilhado”. Lc.18:14
- Ao que é humilde: "Se o meu povo se humilhar, orar e me buscar e converter, eu os ouvirei, perdoarei e os sararei”. II Cr 7. 14.
· Ouve
· Perdoa
· Exalta
· Credencia: a conhecermos os seus propósitos. Dn. 10.12; Só conheceremos a vontade de DEUS para as nossas vidas se formos humildes.
Conclusão: "Ao invés de uma Ética dentro da expectativa de Deus, e que transforme a sociedade temos de um lado a ética passiva e legalista do bom crente, que sonha com ideal sem se envolver com o real. Por outro lado temos o triunfalismo, prosperidade e guerra espiritual. A guerra espiritual como entendida atualmente não nos ajudará a ter um papel ético na sociedade. Ela prega soluções ritualistas, joga para um nível místico coisas que devem ser enfrentadas eticamente. A Bíblia não apresenta um mundo cheio de espíritos e poderes mágicos. "Normalmente a maldade de satanás... Se canaliza por agentes humanos, sistemas e instituições."
A resposta da igreja não deve ser exorcizar o demônio da corrupção, mas é a mensagem dos profetas endereçadas as instancias humanas envolvidas...
Rev. Mauro Macêdo
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